Por Claudio Dourado

Entre os dias 07 a 09 deste mês (janeiro 2018), uma equipe de seis pessoas da Eslováquia e Áustria visitaram a Diocese de Ruy Barbosa e durante a excussão passaram pelas Comunidades de Padre Cícero e Novo Horizonte – Lençóis, Nova Aliança e Rio Utinga – Andaraí e São Sebastião – Wagner. Comunidades que pertencem ao subsistema hídrico do Rio Utinga e que sofrem os impactos do colapso hídrico provocado pelo uso desordenado de água nas monoculturas de banana e mamão no vale do Rio.

A população dessas áreas destaca a importância desse rio para a sobrevivência e temem prejuízos socioeconômicos e ambientais ainda maiores, já que esse subsistema hídrico carece de um plano de longo prazo que consiste, segundo a Lei das Águas (nº 9433), de um diagnóstico da situação atual; de uma análise de alternativas de crescimento demográfico, da evolução de atividades produtivas; do balanço entre disponibilidades e demandas em quantidade e qualidade dos recursos hídricos; e das metas de racionalização de uso da água.

Os visitantes ficaram admirados com a relação do povo com o rio, que utilizam suas águas não só pra produção, mas como parte intrínseca da identidade do camponês, uma afinidade que define o modo de vida do ribeirinho. Para o Padre Ivan Sulik da Eslováquia essa foi uma experiência nova e diferenciada. Os problemas causados nesse rio, segundo ele, indiretamente são problemas de toda humanidade e a luta para a conservação contribui também para o equilíbrio global.

Uma das entidades parceira da Diocese de Ruy Barbosa que estava presente chama-se: DKA (Katholische Jungschar), e faz campanhas de visitas nas casas para cantar o Reis e arrecadar dinheiro, no dia 06 de Janeiro de cada ano, com crianças vestidos dos Três Reis Magos. Parte dessa arrecadação contribui na Campanha de Conservação da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu. Para Dom André, Bispo Diocesano, o excesso de retirada da água para irrigação exige uma posição da Igreja, por isso a importância dessa Campanha puxada pelas Pastorais do Campo e Movimentos Sociais.

Martina Grochalova – integrante do grupo e Jornalista, saiu disposta a fazer um Artigo sobre a situação para divulgar a Luta do Povo nas questões hídricas em outras partes do Mundo. Percebeu o grande desafio que a Campanha tem que enfrentar, mas viu no entusiasmo do povo uma esperança de dias melhores, “aqui a Igreja vive com e perto do povo, na Eslováquia a vida da igreja é separada”. Para Donica Olexava isso é uma novidade e Encoraja.

Mesmo tendo garantido para proteção dos recursos hídricos (Lei das Águas – Artigo 07) a necessidade de medidas, programas e projetos de recuperação e manutenção; as prioridades para outorga e a necessidade de criação de áreas sujeitas à restrição de uso; percebe, por outro lado, o Estado muito dependente e refém do Agronegócio que utiliza e esgota todos os recursos naturais e migra para outras áreas ainda preservadas, expandindo as fronteiras agrícolas e os conflitos sempre com o aval do Estado – representado pela Bancada Ruralista, em detrimento da Pequena Agricultura, que produz alimentos, protege a natureza e muitas vezes têm que conviver com os estragos e prejuízos socioeconômicos e ambientais.